A HISTÓRIA DA JORNADA JOVEM

Queridos e amados jovens e familiares da Jornada Jovem!

As Obras de Deus começam sempre pequenas. Não nascem prontas. As obras de Deus são sempre frutos de muito sacrifício e dedicação de muitas pessoas, que colocaram Jesus Cristo em primeiro lugar na sua vida.

Quero agora apresentar a História de nossa Jornada Jovem. Fazer memória é recordar os fatos e as pessoas queridas; àquelas que acreditaram neste projeto de amor e assim ajudaram a construir esta Obra maravilhosa que se chama Jornada Jovem.

Tudo começou no último final de semana (dias 29 e 30) do mês de março de 1972, Era o período da Quaresma, cujo tema da Campanha da Fraternidade naquele ano era: – Descubra a felicidade de servir Na Paróquia Nossa Senhora Aparecida do Navio, na cidade de Lajes, em Santa Catarina estavam os dois freis franciscanos: Frei Álido Rosá e Frei Hugolino Becker. Eles se perguntavam:  O que poderiam fazer pelos jovens e ao mesmo tempo pelas famílias, naquela quaresma? Como pôr em prática este pedido da Igreja do Brasil a serviço de modo especial da juventude?

Tudo aconteceu quase de maneira espontânea, mas com muita fé e esperança. Com a ajuda de alguns jovens da Paróquia, os dois Freis organizaram o programa para um retiro de um final de semana, que começasse no Sábado depois do almoço e terminaria no Domingo à tarde. Por ser, praticamente, um dia e pouco de espaço de tempo, deram o nome de Jornada. Por se destinar aos jovens; chamara de Jornada Jovem. E para simplificar, ficou JJ, isto é, Jovens da Jornada.

Foi assim que aconteceu a Primeira Jornada Jovem, com a participação de uns 40 jovens. A pequena semente estava plantada. O Espírito Santo iria regar esta semente até se tornar uma grande árvore com muitos frutos.

Esta Primeira Jornada Jovem contagiou a Juventude da cidade de Lajes, bem como suas famílias. Foi um sucesso inesperado. Foi uma alegria muito grande para todos. Tanto assim que aqueles que participaram pediram para que esta experiência continuasse; que fossem realizadas outras Jornadas, porque eles queriam levar também seus amigos, seus irmãos, ou mesmo o namorado ou a namorada e assim por diante…

O encanto desta Jornada Jovem contagiou os familiares e toda a Paróquia. Este primeiro grupo se dispôs a ajudar Frei Álido e Frei Hugolino. Os dois freis perceberam logo que este era um caminho para trazer a juventude para Deus, tanto os estudantes, como os agricultores, os que estavam descobrindo a vocação para o casamento ou para a vida sacerdotal ou religiosa. Uma nova estrada se abria. E assim a Jornada foi acontecendo em outras cidades da Diocese de Lajes, também chegou à cidade de Anita Garibaldi.

Estes jovens pediram que esta experiência fosse feita também com os pais, para envolver toda a família nesta dinâmica de amor e compromisso com a Igreja. Por isso que no ano seguinte, no início de setembro de 1973 aconteceu a Primeira Lareira para os casais. Como surgiu o nome de Lareira?  Uma noite fria de inverno, os dois freis tinham acendido o fogo da lareira. Frei Hugolino que tinha vindo da Alemanha e lá observa que a lareira unia muito a família ao redor do fogo e amenizava e frieza, decidiu chamar a este retiro com os casais de “lareira”, para aquecer o amor nos corações dos pais e dos filhos. Assim começou o Movimento Lareiro, espalhado hoje em muitas dioceses do Brasil.

Os jovens Itamar Pereira e Ledir Petry participaram da criação da Jornada Jovem em Anita Garibaldi no ano de 1973. Em janeiro de 1974 eles foram trabalhar na cidade de Francisco Beltrão, no Paraná. Levaram o espírito e a experiência da Jornada Jovem em seus corações. Naquela cidade se envolveram com os grupos de jovens, cujo Diretor Espiritual era o Padre Renê Van Looy, Missionário do Sagrado Coração de Jesus. Eles conheceram também o seminarista Agenor Girardi que era Missionário do Sagrado Coração e fazia seu ano de Estágio num Centro Pastoral chamado de Assesoar (Associação de Estudos, Orientação e Assistência Rural). Agenor coordenava a Juventude da cidade e das comunidades do interior, juntamente com o Itamar e a jovem Ledir.

Em novembro de 1974, Itamar e Ledir levaram o Padre Renê e mais três jovens para participarem da Jornada Jovem na cidade de Anita Garibaldi. Os três jovens eram Paulinho BaltokoskiErnesto Rodrigues e o seminarista Agenor Girardi, hoje Bispo da nossa Igreja, exercendo seu apostolado como Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Porto Alegre – Rio Grande do Sul.

Dom Agenor Girardi diz:  Recordo com gratidão de minha Jornada Jovem que participei na cidade de Anita Garibaldi, em Santa Catarina, nos dias 23 e 24 de novembro de 1974. Foi mesmo um final de semana inesquecível e cheio de surpresas agradáveis. Recordo da viagem de Francisco Beltrão até Anita Garibaldi, em torno de 400 km. Na época não havia asfalto. Tudo era estrada de chão, com muita poeira. Em alguns lugares não havia pontes e por isso atravessamos nas balsas. Foram 15 horas de viagem, dentro de um fusca velho. Estávamos em cinco e mais nossas bagagens. Foi mesmo uma aventura pela causa do Reino de Deus. Cheguei lá cansado e até mesmo assustado, pois não sabia o que iria acontecer dentro desta Jornada Jovem. Naquela época, começava no Sábado à tarde, com muita música e animação. Logo depois vinha o rigor e a seriedade, com uma palestra chamada de “Mundo quebrado”, que assustava a todos. Mas, no final daquela palestra, era preciso olhar para Jesus Cristo na cruz e assim fazermos nossa entrega ao seu Amor. Aos poucos a Jornada Jovem foi acontecendo e foi mesmo um encanto, uma alegria e uma grande festa. No final do encontro eu estava muito feliz com tudo o que Deus havia preparado para mim, especialmente pela confirmação de minha vocação para ser padre. Posso dizer que a Jornada Jovem tinha me conquistado para sempre… Após a Jornada nos reunimos e eu perguntei aos demais:  Que tal fazermos uma Jornada Jovem assim também em Francisco Beltrão? – E todos concordaram comigo. Voltamos para nossa cidade e mãos à obra. Começamos a preparar nossa Primeira Jornada Jovem. Tudo estava para começar; muito trabalho e sacrifício, mas também muita oração e alavancas. Recordo de nossas reuniões, muitas vezes, até madrugada. Parecia um sonho, mas nos dias 25 e 26 de janeiro de 1975, por sinal era o dia de São Paulo Apóstolo, o melhor dia para iniciar este novo projeto de evangelização; realizamos nossa Primeira Jornada Jovem de Francisco Beltrão, com a presença de 32 jovens. Posso dizer que foi um sucesso e uma grande vibração. A alegria envolveu a todos e a notícia se espalhou. Nesta Primeira Jornada, por providência de Deus, recebemos alguns jovens das cidades de Marmeleiro, Capanema e Coronel Vivida. No início de março daquele ano terminava o meu Estágio Pastoral e eu iria para a cidade de Campinas, em São Paulo, iniciar o curso de filosofia. Os pedidos de muitos jovens aumentavam. Foi assim que em oração tomamos a decisão de fazer a Segunda Jornada Jovem, antes de minha partida, nos dias 22 e 23 de fevereiro de 1975. Nesta Segunda Jornada Jovem eu fui padrinho de um jovem que recém tinha completado 18 anos de idade. À primeira vista não demonstrou muito interesse, mas acabou aceitando o meu convite para participar. Este jovem era o meu irmão mais novo, o Quintino Girardi. E de fato, ele se tornou depois membro da Equipe Dirigente e nestes anos todos, já perdeu a conta de quantas Jornadas tem ajudado e participado, sempre com alegria e de forma incansável, sempre servindo com amor e na humildade de coração. Milhares de jovens passaram por ele nestes anos todos. Mesmo estando longe no Seminário, eu acompanhava tudo o que acontecia na Jornada Jovem. Quando eu vinha de férias para Francisco Beltrão, acompanhava e apoiava sempre a Equipe, que passou também por muitas dificuldades e incompreensões, até mesmo por pessoas da Igreja. Mas tudo isso serviu para fortalecer ainda mais este projeto de Deus. Depois como padre, por onde passei, foi possível iniciar a Jornada Jovem e ela continua até hoje. Agora sendo Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Porto Alegre – RS; foi possível iniciar a Primeira Jornada Jovem, no Vicariato de Canoas, com a preciosa ajuda da Equipe Dirigente de Francisco Beltrão.  Por tudo e para sempre, muito obrigado a todos!

Com o passar do tempo, a Jornada se espalhou em muitas outras cidades e dioceses do Brasil. A experiência era tão empolgante, que em vez de ser somente um dia, passou a começar na Sexta-feira à noite, passando assim a ser Jornada Jovem de três dias: Um tempo de profunda experiência com Jesus Cristo, mas também de muita amizade e convivência entre os jovens. As amizades que se formam ali costumam ser eternas.

O tempo passou. A Jornada Jovem também evoluiu. Assim como o semeador, as sementes foram se espalhando em muitas Cidades e Estados do Brasil. Podemos comparar a Jornada Jovem como um grande pé de laranjas, que já deu muitos frutos e continua dando mais; ora recebendo críticas, incompreensões e até pedradas; ora recoberta de muitas flores e exalando o suave perfume, recebendo homenagens de amor e gratidão, reconhecimento e agradecimentos.

Tudo isso faz lembrar a Parábola do Semeador, conforme o Evangelho de Mateus 13,1-23. As sementes foram semeadas em quatro realidades bem distintas: À beira da estrada, no chão duro, onde todos passam e pisam em cima e assim as sementes nem puderam germinar. No terreno onde havia muitas pedras e pouca terra boa; as sementes até nasceram, mas quando veio o sol forte secaram e assim não produziram nada. No meio dos espinhos; as sementes cresceram até certo ponto, mas depois foram sufocadas e não produziram nada. Por fim, as sementes lançadas na terra boa produziram muitos frutos nos corações daqueles que acolheram a Palavra de Deus e acreditaram neste projeto.

Mas, o que é realmente a Jornada Jovem? Qual é a mística que a sustenta? Qual é sua espiritualidade? Quais são o encanto e o atrativo que ela tem? Qual é o compromisso cristão que ela propõe?

Ao longo destes anos, por sinal mais de 40 anos, temos recebido muitas graças e colhidos muitos frutos de amor, de perdão e de paz. Podemos citar alguns aspectos:

Quantas amizades verdadeiras e eternas que foram construídas através da Jornada Jovem! Quantos casamentos que foram realizados entre pessoas que se conheceram na Jornada Jovem! Quantas vocações à vida sacerdotal e religiosa que a Jornada Jovem despertou e confirmou! Quantos abraços de perdão e reconciliação que aconteceram! Quanta reestruturação familial e reconciliação entre pais e filhos! Quantas lágrimas de conversão, arrependimento e mudança de vida que aconteceram através da Jornada Jovem! Quanta volta para a oração e aos Sacramentos da Igreja, bem como uma nova descoberta de Jesus Cristo! Quantas músicas, animação, alegria, amizade, superação do desânimo e da depressão, graças a Jornada Jovem! Quanta festa no abraço do perdão e quantas pessoas mais felizes e realizadas! Quantas lideranças cristãs que a Jornada despertou para nossas pastorais e movimentos da Igreja, mas também para a profissão nos seus ambientes de trabalho e para o mundo da política e do serviço comunitário! Enfim, quanto bem e quanto amor que a Jornada Jovem realizou! Obrigado por tudo!

Posso afirmar com toda certeza que aqueles que participam da Jornada Jovem, não esquecem jamais, mesmo quem não se compromete diretamente depois. Esta experiência do amor de Deus fica para sempre, como um selo gravado no coração. As grandes experiências que fazemos do amor de Deus, jamais serão esquecidas…

Quem pode participar da Jornada Jovem? – Ela se destina aos jovens entre 18 a 30 anos de idade, como referência básica. Acolhe jovens de todas as pastorais e movimentos da Igreja. O jovem que participa de uma Jornada Jovem é sempre uma liderança qualificada em sua Paróquia. Ele é convidado a voltar à sua comunidade e lá ser “sal da terra e luz do mundo”. O compromisso com os demais JJs é participar de um encontro por mês, seja a nível paroquial, de Vicariato, ou até mesmo diocesano. A Jornada Jovem não tem por meta retirar o jovem de sua comunidade, pelo contrário, ele se torna uma referência positiva e é alguém que agora “faz a diferença” no seu meio.

Sim, a Jornada Jovem é uma graça. Eu diria: a graça das graças. É o “tesouro escondido no campo; é a pedra preciosa”, que Jesus propõe no Evangelho. Quem faz esta descoberta arrisca tudo e cheio de alegria consegue o que desejou. Que a Jornada Jovem possa continuar sendo uma luz a iluminar a vida de tantas pessoas. Obrigado e Shalon